Coluna do Sardinha
A classe operária descobre o poder |

Obviamente, não existe um ranking para determinar as maiores e piores ditaduras de todos os tempos, existentes na face da Terra, mas a ditadura que imperou na União Soviética dos tempos de Stalin, nada ficou a dever às demais. Chamada ora de “operária”, ora de “proletária” e também de “esquerda”, só demonstrou que a classe “operária” ,“proletária” e de “esquerda” soviéticas ao chegar ao poder, fizeram pior do que aquilo que deploravam no tzarismo e as estepes geladas da Sibéria passaram a ser o local escolhido para os dissidentes esfriarem a cabeça. Muitos de lá não voltaram.
É explicável que tal ocorra, quando os opostos ou as minorias assumem o poder. Na teoria são anjos que vão salvar o mundo, na prática são demônios, que farão igual ou pior do que fizeram seus antecessores.
Isto acontece tanto na Rússia, no Paquistão, não-sei-mais-onde e também no Brasil e a primeira vítima de regimes ditos reformistas radicais é a liberdade, catalogada entre os Direitos fundamentais do homem e que estão consagrados em nossa Constituição: liberdade de culto, liberdade de ir e vir, liberdade de pensamento e expressão de idéias e opinião e a estes somaríamos mais um, mas não escrito na Carta, que é o direito de indignar-se.
Tal direito é o primeiro que os governos de viés autoritário procuram abortar, entendendo que indignar-se vira protestar-se e protesto não é coisa que se admita num regime “perfeito e acabado”, como toda ditadura que se preze.
Outro símbolo da democracia, que muito sofre nas mãos dos reformistas radicais é o Poder Judiciário sempre visto como inimigo das “mudanças urgentes de que o país precisa” e burle-se as leis.
O governo Lula, em que preze a eleição democrática, volta-e-meia é sacudido por um ranço ditatorial de viés totalitário, que faz tremer e temer-se pelas instituições, causando uma indignação, que ora é pontual mas que pode assumir contornos mais sérios, ao atentar contra liberdades consagradas no texto Maior.
Assim é com a liberdade de expressão e de indignação. Diogo Mainardi, Arnaldo Jabor, Boris Casoy e dezenas de outros de menor expressão, sentiram sobre si a mão pesada da truculência da censura, que quis intimidá-los e cassar-lhes a palavra. E vai além.
Pretende o governo criar por decreto um órgão para avaliar o que se escreve na imprensa. Numa clara tentativa de reeditar a censura prévia adotada pelo regime instalado em ’64, graças ao qual aqueles que contrapuseram-se a ele, estão recebendo gordas indenizações, não se sabe por quais fundamentos.
Mas, a escalada não para aí. Uma carta pessoal e reservada do general-chefe do Departamento do Pessoal do Exército, Maynard Marques de Santa Rosa, na qual criticava a política de direitos humanos, que o governo Lula quer implantar, custou-lhe a exoneração, bem no estilo chavista de calar resistências.
E na nítida amostra de que pode tudo, o governo aprova num Legislativo dócil aos seus desmandos, um diploma que isenta a todo-poderosa Petrobras da auditoria do Tribunal de Contas da União em três milionárias obras de refinarias com suspeitas sérias de superfaturamento.
Quer dizer, numa só penada passou duas vezes por cima da Constituição, mas como diria Vargas: “a lei, ora a lei”.
Antes que a coisa descambe de uma vez e para preservar os resquícios que ainda temos de regime democrático, a sociedade civil deveria denunciar à imprensa internacional e a própria Organização das Nações Unidas estes fatos que jogam por terra a idéia de que o presidente Lula seja um estadista, como quer parecer.
Luiz Bosco Sardinha Machado
É explicável que tal ocorra, quando os opostos ou as minorias assumem o poder. Na teoria são anjos que vão salvar o mundo, na prática são demônios, que farão igual ou pior do que fizeram seus antecessores.
Isto acontece tanto na Rússia, no Paquistão, não-sei-mais-onde e também no Brasil e a primeira vítima de regimes ditos reformistas radicais é a liberdade, catalogada entre os Direitos fundamentais do homem e que estão consagrados em nossa Constituição: liberdade de culto, liberdade de ir e vir, liberdade de pensamento e expressão de idéias e opinião e a estes somaríamos mais um, mas não escrito na Carta, que é o direito de indignar-se.
Tal direito é o primeiro que os governos de viés autoritário procuram abortar, entendendo que indignar-se vira protestar-se e protesto não é coisa que se admita num regime “perfeito e acabado”, como toda ditadura que se preze.
Outro símbolo da democracia, que muito sofre nas mãos dos reformistas radicais é o Poder Judiciário sempre visto como inimigo das “mudanças urgentes de que o país precisa” e burle-se as leis.
O governo Lula, em que preze a eleição democrática, volta-e-meia é sacudido por um ranço ditatorial de viés totalitário, que faz tremer e temer-se pelas instituições, causando uma indignação, que ora é pontual mas que pode assumir contornos mais sérios, ao atentar contra liberdades consagradas no texto Maior.
Assim é com a liberdade de expressão e de indignação. Diogo Mainardi, Arnaldo Jabor, Boris Casoy e dezenas de outros de menor expressão, sentiram sobre si a mão pesada da truculência da censura, que quis intimidá-los e cassar-lhes a palavra. E vai além.
Pretende o governo criar por decreto um órgão para avaliar o que se escreve na imprensa. Numa clara tentativa de reeditar a censura prévia adotada pelo regime instalado em ’64, graças ao qual aqueles que contrapuseram-se a ele, estão recebendo gordas indenizações, não se sabe por quais fundamentos.
Mas, a escalada não para aí. Uma carta pessoal e reservada do general-chefe do Departamento do Pessoal do Exército, Maynard Marques de Santa Rosa, na qual criticava a política de direitos humanos, que o governo Lula quer implantar, custou-lhe a exoneração, bem no estilo chavista de calar resistências.
E na nítida amostra de que pode tudo, o governo aprova num Legislativo dócil aos seus desmandos, um diploma que isenta a todo-poderosa Petrobras da auditoria do Tribunal de Contas da União em três milionárias obras de refinarias com suspeitas sérias de superfaturamento.
Quer dizer, numa só penada passou duas vezes por cima da Constituição, mas como diria Vargas: “a lei, ora a lei”.
Antes que a coisa descambe de uma vez e para preservar os resquícios que ainda temos de regime democrático, a sociedade civil deveria denunciar à imprensa internacional e a própria Organização das Nações Unidas estes fatos que jogam por terra a idéia de que o presidente Lula seja um estadista, como quer parecer.
Luiz Bosco Sardinha Machado

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