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Paiva Netto
Há cerca de dez anos, li na Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro, do veterano jornalista Hélio Fernandes, reportagem sobre uma palestra de Henrique Lins de Barros, doutor em física e pesquisador titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, intitulada “Ciência e Ambiente”. O tema é tão apropriado que resolvi apresentar trechos das palavras dele:
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Top30 Brasil “‘Se a sociedade não repensar o atual modelo de Ciência, a Terra vai falir’ – afirmou. ‘O padrão de desenvolvimento de hoje é insustentável e, se não for modificado, veremos o colapso dos recursos nas próximas gerações’, disse. A palestra de Henrique de Barros fechou o Seminário Ciência e Pobreza no Século 21, organizado pela coordenação de pesquisa em pós-graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele fez uma crítica ao que chamou de imaginário da Ciência contemporânea. ‘Antigamente o objetivo principal dos pesquisadores era conhecer a Natureza para auxiliar os mais necessitados; hoje, o compromisso da Ciência é produzir riqueza.’ Henrique Lins de Barros citou como exemplo o descompasso entre o mundo real afetado pela miséria e grandes desigualdades e a pauta dos pesquisadores ‘mais preocupados em povoar Marte com micro-organismos. (...) Uma das crises previsíveis, segundo o pesquisador, é a de escassez de recursos hídricos. ‘Em poucos anos, ainda na nossa vida, vamos enfrentar esse problema’. Henrique Lins de Barros comparou a forma de a sociedade lidar com o futuro hoje com o uso de drogas: ‘Hoje, usamos tudo sem pensar no futuro, já que não há preocupação nem projetos para criar condições de sobrevivência das futuras gerações’”.
Uma década após os alertas do cientista brasileiro, o programa Espaço Aberto – Ciência & Tecnologia, da Globonews, na apresentação dos jornalistas Luiz Fernando Silva Pinto e Leila Sterenberg, trouxe interessante matéria sobre a conexão intrínseca entre o avanço tecnológico e o porvir. Nela, fica evidente que o parecer abalizado de outrora do dr. Henrique de Barros merece, nos dias atuais, máxima atenção.
Na próxima semana, comentarei um trecho desse documentário, que menciona a curiosa relação entre átomos e bits, e destacarei a revolução que falta acontecer.
José de Paiva Netto é jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com
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